Stand Up Poetry
Monday, March 15, 2004
  a lua fria ao meu irmão constantino, joão,alexandre,felix,jorge


no bar do Luís a música da América Latina
transportava na salsa a hortelã do teu olhar,
e todos ficámos lentamente a experimentar
a velocidade das violetas roxas. Os poetas
entendem-se em pequenos guardanapos
e a poesia aparece como o sol e a lua,
as diferentes estações do ano,
as perguntas e as respostas no
percurso de cada romance,
houve ainda uma bebida e
como um raminho de salsa crua
trocámos as línguas nos lábios
vizinhos, a poesia
acontece como o amor ou o
cio,
não tem hora nem lugar,
e os poetas entendem-se nas
calçadas antigas
enrolando um cigarro com pequenas
histórias de sal e pimenta. as moças
ainda dançam com o shot na mão
e o cigarro na outra, à beira de
um precipicio, a Europa não é cubana
até a alma se veste com jeans e
embebeda-se
com gin e de preferência Red Bull com
groselha e hortelã.
Nas praias e quando a Primavera se aproxima é ver
a interculturidade sensível como a
Constituição de uma dança de lobos.
 
Saturday, February 21, 2004
  Sonho de uma noite de Verão


Sonho de uma noite de Verão


No rossio me na betesga
Na peripécia da lua, chove

Os espectadores são fantasmas!

É Carnaval. Ninguém leva a mal


A noite de S. João e se
O país do amor é uma ilusão
O paraíso existe
Há um, eu hei uma rua clara
Só hoje se quebra a quatro parede
É a hortelã sensual do Tejo

Vamos fazer o oceano claro
E voar


José Gil

PS: Teatro Nacional D. Maria II
Sábado 21 de Fevereiro 2004

II

Na Plateia as crianças chegam mascaradas
Na rua o REI D. Pedro atravessa a minha ilusão
Nos camarins os actores preparam o
Melhor espectáculo da sua vida. E tu? E eu?
Aproveito para tirar a máscara cinzenta das grandes cidades
Que morder contigo nos campos abandonados
Porque vive tanta gente nesta cidade
Porque vive tanta gente
E porque morrem as aldeias, as vilas
Como esqueletos de Belver a Ferreira
De Castro Verde ao Pego, Cortes
A Maririnha.Crescem os prédios e os carros
E o governo come bananas de gasolina
Tudo isto mexe com a minha alma de pastor
Para que é que há-de haver Governo
Se não há cultura como há Ministro?
SE não há agricultura porque há Ministério?
SE não tops temos que defender de nada
Porque há ministério? Eu sei que os poetas para serem anjos
Não são políticos.
Mas não bastavam três Ministros
O das finanças para nos roubar o dinheiro
O da polícia para prender os ladrões doa governo
E o da Igreja para os absolver
Eu sei que estou a ir longe de mais
É que em três ministros era difícil
A paridade homem/mulher/preto/branco
Talvez fosse altura de três anjos tomarem
Conta deste Portugal Pequenino
É Carnaval
Ninguém leva a mal
Tive este sonho desculpem mas mais de
Três ministros nuns pais do tamanho do rio
Não é desperdício da função pública
Não é acumulação de canela e arroz doce
Com água apodrecida em poemas bomba
Não digo mais nada.
Ainda pediria a demissão dos governantes
Que se consideram a mais
Para comer uma lata de atum
E escrever um poema

Para que é que eu preciso do governo
Para ficar em fila de espera
No hospital não basta boi medico das
Urgências
Desculpem a minha cabecinha pensadora
Esqueçam, os poetas são de excessos
Comem trinta carcaças com pão e
Fumam cigarros atarás de cigarros
E amam mulheres como quem ama
As árvores, o luar e um sonharam
Numa noite de verão ou de Inverno
É Carnaval ninguém leva a mal
Não há governo e a lua é uma peripécia


Não há
Há governo e um buraco de ozonei
Sim senhor ministro do céu superior
Sim senhor ministro do Portugal de Plástico
Em balize verde florescente
Olho-te em cima do mexi psicose ao
Lado da torre Eiffel da loja dos trezentos
Ao lado de santos de plástico mande ir china

Criticas-me porque digo que há poesia
E não há ministério
Há noite e a lua não é ministra
Mas sozinha governa
Sem BM, sem Telemóvel, sem 500 criados

Queria dizer basta de hipócritas
Basta de não haver educação
E haver
O ministério do ensino inferior
E o mistério da investigação cientifica
Desculpem queria falar de pombas e
Liberdade
Os poetas deviam é estar calados e escrever

Um pombo numa gaivota
A parede branca
Só fantasma e as linhas de Doze

Mas não sou O Senhor dos Azeites

O novo Messias

Não recebo energias, não quero Jesus
Nem Mao, nem Lenine

Nem Bush

Quero a ti flor, cravo
Sou cão ou aranha, sou mula
E dou coices
Beijo e amo em excesso
Meu irmão
Tem coração ou vendaval
É Carnaval
Não leves a mal

Os governantes "Cheiram mal da boca"

Constantino Alves
Jose gil

Carnaval 2004-02-21 Pedralvas
Taxi-Rossio,bairro alto, Damaia, Benfica
 
Saturday, February 14, 2004
  o pé publico o pé grosso
e o pé magro
poliomielite de chá

até os oregão têm orgasmo
e os bivalves jovens
reich me

uva leve
a única coisa que a minha lingua quer
é a sola do pé
a curva e o dedo grande


morde
faz figas
vou no avião das dez


as sombras e os pântanos
linda deixa hoje

sou um santo feliz

perna grossa
perna magra

um anjo sente-me no poema

come 
  as flores de santos POEMA VI
com o Constantino e a SAlsa

na av. 24 de Julho é noite

as saias saltam no vento
aos quadradinhos tão curtas

e as meias negras em riscas
vincadas ao meu olhar

é de verde a morena da outra mesa
e a sangria vibra nas tuas mãos
e o alcatrão é espelho de água

ruthe, rita, marta, vendem cigarros

querem uma rapindinha no wc claro
um euro , um poema, um tunel vibratil
Queres comer a manga verde, a pomba
e os seios sempre os seios com cabelos
verdes e vermelhos, agri doce japonês
dos seios doces em noite de namorados



Preparamos a bússola e a mochila

As chinelas marcam os pés

E sou uns blusões e um pólo

e dez sacos pretos de plástico

a manta do Uruguai, o poncho

De ciganos antigos e sábios

Arrumo os assuntos e os perfumes

oiço a minha pele no duche
OI o duche onde te encontro
pelas coxas claras as meias abrem
não dormes, não durmo

frente ao espelho acendo a luz

no fumo da água quente

quero ver a dor azul da tua

ausência. Na balança só fica

o peso do ossos e da carne

O ponteiro não pergunta porque

choro ou sou a gargalhada

nem indica quanto pesa

diariamente a gorda solidão

aos cinquenta

nem mesmo se uma dor

ou uma angina de peito

tem gramas ou miligramas

de ardida dor de amor



oiço a minha pele no duche
a rapidinha é triangular e quadradinha
hidrata com a alegria
no tunel de Santos
e a paixão, abrem os poros
da purba e as achas são

olhos e desejo nos trilhos
as mãos voam, esqueço-me logo
um poeta tem memória de perdedor
e cabelo grisalho. Quanta montanha
podemos teclar e ver , tocar e adivinhar
a erupção trago-a comigo

sempre naqueles olhos
que se escrevem em mim e por certo
na pedra de mármore de todos os rituais

para sempre

lambo as pequenas coisas cá de baixo
só te posso dizer o umbigo, o resto é privato
prioritário no colunato de venus

Sebastião mesmo para lá dos livros
onde és o elogio da culpa solteira


sugiro que entres no jogo e vamos
tenho um desejo, apetece-me tocar-te em algo

tenho o cuidado de pensar , dizem elas
qual amor, qual paixão

a gente não amolece nunca, dizes mentes
truques, temos a maturidade
rica das sensações precisosas únicas
dizes bravo sebastião és gostoso como
a noite
e és um espaço para os mamilos que chegam aos labios
rijos e longos, tenho arrepios bravos e grito
Eu não quero que esta noite seja para sempre
como morangos e até o gel

é poético, constantemente



nas toalhas brancas e sagradas

enrolo o corpo

e se deixo de fora os olhos verdes

é um zoom para ti


JOSE GIL E CARLOS DIAS

SANTOS, 15 de FEvereiro 2004

do livro "o poeta negro, o URo" a
publicar pelo Le Monde Paris Nov. 2004
em alemão e russo
português e japonês 
  o incorrupto

O INCORRUPTO NA BARRACA

de José Gil e Constantino Alves

Não há catatuas esta noite
ninguém está no palco
e não se bebe vodka com laranja

é noite e há medo
e há um país onde isso importa!

do medo será ainda um século
da luz, da inquisição e da suplica

Sabeis novas do meu país

Ninguem corta outra vez
ninguem corta "a raiz ao pensamento"
e se os vampiros se infiltam pelas portas
claras do raciocinio francês
OI Catherine Deneuve Portuguesa
Quem te esconde, falta-nos o vodka
com raticida forte,Oh Rabanete?
Joga à defesa que o meu povo não
é catatua nem mesmo no carnaval
está vestido de anjo, voa actriz ou
actor para fora do palco - se tiras o
espelho, és igual somos aqui no caixão
todos iguais Oh! Mente brilhante
contaminada pelo antigo mestre da tortura
és o maior espelho.Oi caleidoscópio
do neo-fascismo . Não penses que voltamos
á noite. As portas democráticas rodam
são como no Diário de Noticias
rotativas . Escreve direita não direito
o incorrupto é moderno, o incorrupto
é este direito á indignação

SANTOS, TUNEL,15 de Fevereiro 2004-1h
 
Friday, February 13, 2004
  memória
tenho memória de elefante
baseado em Lobo Antunes
no cus de judas
digo ás pequeninas coisas
boa noite
no conhecimento dos infernos
na explicação dos pássaros

tenho memória de elefante
como um fado alexandrino
como um auto aos danados
nas naus voo digo boa noite
aqui em baixo

um poeta morde nos tuneis
faz tratados de paixões
e no dia dos namorados
a ordem natural das coisas
com um tango de Gardel
e crónicas das coisas aqui em baixo

não amor não não não entres
tão depressa nessa noite escura
que farei quando tudo arde

boa noite namorada
boa noite ás coisinhas
aqui em baixo



 
Wednesday, January 21, 2004
  Abreação
á psicanalista amiga Silvie


transfiro os meus sentimentos para a fruta
sou manga de carne e osso e se és analista
planeia o meu amadurecimento ao sol
na areia da praia de São Conrado onde escrevo
transfiro o xamã para Lacan ou Freud
e vivo cada vez mais a encantação
penetra-me nos orgãos de xamã

jose gil




 
Wednesday, January 14, 2004
  eu não escrevo literatura

eu não escrevo literatura
eu não escrevo literatura de enigma
na minha escrita não há a figura do parvo nem
do detective
eu não escrevo quem matou ou quem morreu
sou um poeta urbano
tento compreender a sordidez da alma humana
a solidão das pessoas
eu escrevo o poema da pessoa só!


josé gil 14/1
 
Saturday, January 10, 2004
  O MATEMÁTICO

artesão
na casa amarela dos números amarelos
na matemática desenhada no universo
em signos de vida e pausa
o artesão faz as raizes quadradas ocultas
os crescentes e os decrescentes
os números primos, os números ímpares
só a casa é mesmo toda amarela e o artesão
conquista a manina linha na recta e a menina
redonda no circulo dos porquês
Qual mistério tem a matemática se foi toda
inventada por nós sem Adamastores nemm razão
na casa amarela fecho os números em formulas Orientais
e a casa fica azul cor de carne rosa vivo
e cada luz que salta na casa fechada é uma viagem
vezes sem conta nos Hemisférios
onde cada homem é um astro
preso á escrita


Helena Madeira 
poesia em portugues de Jose Gil

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